A dúvida normalmente não deveria existir. Não agora. Hesito sem grandes razões enquanto caminho, mesmo sem maiores pretensões, desarmado de planos e cenários pré-estabelecidos. Mas quando se trata de sentimentos, quem é que consegue se guiar?
É verdade que aprendemos a ser mais comedidos com o tempo. Nesse tempo de mudança, já tive êxitos ao domar impulsos que meus desejos (não necessariamente carnais) provocaram - e eles sempre haviam vencido. Até agora não sei se valeu a pena. Sei que na hora me senti maduro e protegido - de mim mesmo. Satisfeito, portanto. Um outro tipo de satisfação, daquelas que só você sente e poderia entender. Porque se eu costumava me jogar em abismos, dando cara e coração a bater, muitas vezes era eu que me batia. E, mesmo que alguma pessoa não me valesse, o amor, sempre ele, valia – talvez por isso não tenha arrependimentos. Mas toda decisão tem seu preço.
Não sei. Nunca sei. Acho que nunca me saberei nesses momentos de quase-entrega. Aquela luta silenciosa com alfinetadas na barriga de mim comigo mesmo. Depois de tanta coisa, aprendi a temer.